Módulo 5 – Representações de Gênero e LGBT+

O curso de Esporte e Mídia [ver todos módulos do curso aqui] tem sequência nessa semana com discussões sobre as representações nos meios de comunicação de massa de gênero e de LGBT+. Esse módulo vem na esteira do módulo anterior [ver resumo aqui] onde foi discutido as representações e as narrativas mais comuns sobre raça/etnia e de esportes para pessoas com deficiência – em particular os esportes Paralímpicos.

Na primeira parte do módulo o foco será nas representações sobre gênero nos meios de comunicação de massa. O estudo dessas representações pode ser diferenciado em duas grandes áreas: uma mais quantitativa que busca compreender os padrões de existência/ausência de histórias sobre esporte feminino/masculino; e outra mais qualitativa que busca compreender como são as narrativas dentro dessas histórias. Como eu já discuti anteriormente nesse blog aqui [link] existe uma clara hegemonia nos padrões de publicação dos meios de comunicação de massa no que se refere a divisão por gênero. Esporte feminino tende a receber somente uma pequena parcela – de 3 a 20% do total de notícias – e esse padrão flutua em diferentes meses dependendo de quais eventos estão acontecendo. Já no que se refere a uma análise qualitativa dessas histórias, os meios de comunicação de massa acabam cristalizando uma dicotomia relativa à feminilidade e masculinidade, onde esta última está associada a ser duro, forte e agressivo. Partindo dessa dicotomia e de uma feminilidade heteronormativa, as narrativas mais comuns encontradas na mídia esportiva recaem sobre gender marking – onde somente os eventos femininos possuem a demarcação do gênero nos seus nomes – uma heterossexualidade compulsória – normalmente privilegia mulheres que desempenham os papéis tradicionais de esposa e mãe – e de uma feminilidade adequada – onde características físicas e emocionais são realçadas para criar a atleta mulher como o oposto do atleta homem. Outras narrativas encontradas são de infantilização e sexualização onde atletas mulheres são tratadas com condescendia e padrões de beleza ocidentais são ultra valorizados.

Na segunda parte do Módulo 5 a discussão centrará nas representações de atletas LGBT+ nos meios de comunicação de massa. Muito semelhante aos padrões discutidos acima relativos à gênero, atletas LGBT+ são comumente silenciados de tal forma que existe um impacto real onde atletas tendem a não assumirem suas orientações sexuais. O esporte – e a mídia por consequência – sendo um dos bastiões de uma masculinidade hegemônica acaba por silenciar atletas gays que competem em esportes onde essa forma de masculinidade pode ser contestada como em rugby e futebol. Por outro lado, em esportes ditos mais femininos como patinação artística ou saltos ornamentais existe uma maior atenção da mídia esportiva a sexualidade dos atletas. Por não se discutir – e silenciar a orientação sexual – este tópico acaba se tornando um tabu e dessa forma há um reforço da narrativa na mídia esportiva de heteronormatividade entre atletas. Focando nas narrativas sobre atletas gays e lésbicas normalmente os temas mais comuns giram em torno de ambivalência, escrutínio, e invisibilidade. Em relação à primeira narrativa, os meios de comunicação de massa quando representam atletas lésbicas tendem a ser ambivalentes onde por um lado apresentam essas atletas como tendo agência (não-passivas) mas ao mesmo tempo tendem a focar em aspectos não-esportivos trivializando seus feitos. Já o escrutínio se dá pelo fato de que essas atletas estão sob uma observação crítica quanto as suas personalidades, posições, corpo, e em especial como rompem ou conformam com as normas. A invisibilidade por outro lado é diferente entre atletas gays e lésbicas, visto que o processo de se assumir é compreendido como “mais fácil” e assim suas histórias tendem a ter mais visibilidade comparadas com a de atletas gays. Não obstante, quando pensamos nas representações LGBT+ na mídia esportiva e o aumento de visibilidade a atletas gays e lésbicas o mesmo não pode ser dito para atletas transgênero. Estes não só enfrentam mais barreiras institucionais – como se podem ou não competir – mas também mais barreiras simbólicas por enfrentarem maiores descriminações. Pelo fato de que o esporte é organizado de forma binária (feminino e masculino) existe barreiras para atletas que não conformam com essa classificação binária de sexo, gerando até mesmo uma total invisibilidade de suas existências. Quando atletas transgênero são representados pela mídia a primeira grande narrativa centra ao redor do tema de equidade e fairness. Em uma narrativa ambígua, os meios de comunicação de massa argumentam pela inclusão de atletas transgênero como um direito, mas ao mesmo tempo os excluem pelo uso do mito de competição entre iguais – assumindo que competições intra-sexo exista equidade fisiológica de competição. Ja a segunda grande narrativa visa reforçar o mito de que esporte e política não se misturam e dessa forma a discussão sobre inclusão de atletas transgênero não deve fazer parte do agendamento/enquadramento da mídia esportiva. As últimas duas grande narrativas focam na questão de feminilidade da atleta transgênero – não representada como uma mulher de verdade, e foco em aspectos médicos (cirurgia e tratamento hormonal) – e nas relações conflituosas com a família que acabam por reforçar temas de marginalização, solidão e sofrimento de pessoas transgêneros no geral.

Espero todos no YouTube hoje a noite! 😀

Link abaixo para o vídeo no YouTube e os slideshows das duas partes do Módulo 4 do curso Esporte e Mídia:

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