Gerenciamento de Crise, Relações Públicas e Esporte

Mesmo com a ausência de competições esportivas profissionais em decorrência da pandemia global de Corona vírus, o mundo do esporte não ficou parado. Como mostrei anteriormente nesse post, jornais aqui no Reino Unido seguem os padrões habituais nas suas agendas. Mas não foi somente isso que seguiu normal: atletas continuaram a ser fonte de notícias por se envolverem em escândalos e violarem normas. Alguns meios de comunicação de massa até fizeram a escalação de um time de covidiotas [pessoas que agem como idiotas durante a quarentena] como esse aqui na Fox Sports da Austrália.

E no Brasil não foi diferente. Tivemos um caso emblemático no mundo do esporte – melhor dizer no mundo fitness – quando a digital influencer Gabriela Pugliesi resolveu ignorar a quarentena e organizar uma festa para amigos. E não bastou isso, ela resolveu também anunciar aos quatro ventos através da infame frase: “f*** a vida”.

Mas talvez você esteja se perguntando o porquê de eu estar discutindo Pugliesi, Covid-19, e escândalos num blog sobre mídia, esporte e sociedade? A ideia do post é ver como as marcas que se utilizavam da imagem dela reagiram a esse escândalo e quais foram as estratégias de gerenciamento de crise que elas tomaram. Para tanto eu vou usar esse thread no Twitter que agregou as respostas das diferentes marcas.

Para analisar as diferentes estratégias de gerenciamento de crise empregadas pelas diferentes marcas eu vou usar o framework sobre reparação de imagem desenvolvido pelo William Benoit. Para Benoit existem cinco estratégias genéricas [negar; eximir da responsabilidade; reduzir potencial ofensivo; ações corretivas; e desculpas] e que depois são divididas em 12 diferentes táticas. Mas quais dessas estratégias as diferentes marcas se utilizaram?

Ao que parece, grande parte das marcas – como a Rappi abaixo – decidiu primeiramente pela estratégia de se eximir da responsabilidade, colocando ela totalmente nas costas da influenciadora. E em segundo lugar tomaram a decisão de se desvincular – suspensão do contrato – da imagem da influenciadora como uma ação corretiva.

Também é interessante ressaltar como todas as marcas tentam reduzir o potencial ofensivo dessa crise por afirmarem que seguem as orientações governamentais e da Organização Mundial de Saúde, e que a saúde e bem-estar de todos são valores essenciais à marca. Ou como o Banco Pactual abaixo que busca reforçar (comprar) essa redução através do montante – significativo – doado às diversas causas que o banco apoia.

Bom, mas e a Pugliesi? Primeiramente ela não negou o fato – algo bem difícil de acontecer no mundo digital – mas tentou somente reparar a imagem através de um pedido de desculpas. Pedido de desculpas este que não se pode mais acessar, já que ela decidiu por fechar sua conta no Instagram.

A pergunta é, será que ela não deveria ter se utilizado de outras estratégias aliadas ao pedido de desculpas? Talvez uma simples ação corretiva como trabalho voluntário em setores mais afetados pela pandemia fosse um bom começo para reparar a sua imagem.

Certamente deletar o Instagram após um simples pedido de desculpas não é a decisão mais sensata para uma pessoa que se diz realmente arrependida e que busca reparar sua imagem.

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